Logo cedinho o Dr. Luis Fernando veio me visitar, e até fez um desenho para me explicar porque eu precisava ficar sem comer. Eu entendi perfeitamente e disse que nem ligava mais pra comida. Ele disse que estava confiante que na segunda-feira, faríamos a cirurgia. Eu também estava.
A minha rotina é baseada no horário das refeições. Logo, eu fiquei meio perdida. Era engraçado acordar, escovar os dentes e partir para as atividades – ver televisão e ler o jornal que minha mãe comprou para mim. Enquanto as pessoas saíam para comer, eu ficava lá, esperando o tempo passar, recebendo o antibiótico que diminuiria minha pancreatite.
Em dado momento, a enfermeira precisava me puncionar de novo, para trocar o acesso de braço. Um acesso não pode ficar mais do que 3 dias no mesmo lugar. Eu pedi para tomar banho sem o acesso e ela deixou. Foi ótimo ficar livre daquilo por alguns momentos. Até aproveitei para dar um volta no corredor. Era a primeira vez que eu saía do quarto com meus próprios pés. Encontrei uma balança e me pesei. Um susto: eu estava com 39 kg. E eu meço 1,60 m.
As enfermeiras voltaram. Eu conversei bastante com uma delas, a Jailza. Ela foi um amor, conversou bastante comigo. Uma história impressionante. Ela mora em Parelheiros e trabalha lá na Liberdade. Mas ela nem se importa, porque ela está realizando o sonho dela. Que lindo.
Nesse domingo eu joguei bastante Nintendo DS. O jogo? Cooking Mama. Basicamente, você prepara suas receitas favoritas. Apesar de parecer estranho, acho que eu me “alimentei” através desse joguinho, e ainda por cima tomei gosto pela coisa: quero começar a cozinhar. Afinal, eu tenho 25 anos e já estava mais do que na hora.
Nesse dia, minha tia veio me visitar e ela e minha mãe foram embora umas 7 da noite. Quem dormiu comigo no hospital foi o Gabriel. Foi bem legal, assisti a série Lipstick Jungle no canal Fox e logo em seguida o filme Legalmente Loira. Eu estava bem e feliz. Dormi confiante de que a cirurgia aconteceria no dia seguinte.
