23.10.08

Dia 8 – Sábado, 20 de setembro de 2008

O hospital que eu fiquei era na Liberdade. Então eu logo pensei em todas aquelas maravilhas que estavam ali próximas de mim: yakissoba, nikuman, mupy, bolinho de polvo... e eu não poderia comê-las, como me avisou a enfermeira-chefe Maria Aparecida Brandão. Logo pela manhã colheram um exame de sangue (mais furos no meu braço para a minha coleção), e ela trouxe o resultado fatídico: mais um dia sem comer. Ela falou de um jeito tão idiota, sabe? Eu fiquei mal. Eu joguei o controle remoto no chão. Eu xinguei aquela mulher, meu carrasco que não me permitiria me alimentar. Não agüentava mais aquele soro e aqueles antibióticos fortíssimos (1g a cada 8 horas). Ela nunca mais voltou para o meu quarto.

O dia transcorreu sem grandes revelações. Eu estava aliviada de não sentir mais dor. Mas eu precisava esperar. Os minutos, as horas, o dia. A noite. Foi uma lição de paciência. E eu nem fiquei desesperada. Apenas deixei o tempo transcorrer, porque um minuto é sempre um minuto. O que muda é a nossa percepção. E a minha deveria estar boa, porque o dia passou bem rápido.