O grande dia chegou. A minha despedida de tudo isso. Finalmente! Acordei confiante. Logo a enfermeira-chefe Felícia entrou no quarto, propondo um desafio: tomar café sentada. Aceitei! Ela me ajudou, e eu finalmente consegui sentar. Que vitória! Comi bem devagarinho o café da manhã, e logo o médico entrou dizendo que ia dar a alta. Que lindo! Tiraram o meu acesso. Eu não precisava mais ficar com aquele cateter na veia. Fim dos medicamentos, fim do pesadelo. Finalmente tomei um banho, sentada porque ainda estava dolorido. Me assustei com minha própria magreza e fraqueza. Mas eu estava bem. E não importava mais nada.
Depois dos trâmites burocráticos, me despedi do meu quartinho azul.
“- Tchau.”
E já estava começando a vontade de chorar.
Me despedi da Jailza e da outra enfermeira, dei um abraço apertado nelas. E fomos pegar o táxi. E eu vi a fachada do hospital, que eu não tinha visto quando entrei de ambulância. E vi as pessoas na rua, que eu via só pela janela, seguindo com suas vidas. E aí não deu, eu comecei a chorar. De volta à vida normal. Eu nunca mais seria a mesma. Ainda bem.
