Acordei bem cedo, porque sempre vinha alguém no quarto para dar algum remédio, medir a pressão e a temperatura, fazer exame de sangue, e dessa vez veio o cirurgião para avisar que estava aguardando o resultado do exame para ver se a cirurgia ia ser feita. Às 9 da manhã ele ligou no ramal do meu quarto para avisar que a cirurgia seria às 10 e meia da manhã. Fiquei felicíssima! Um pouco nervosa, claro... Mas eu finalmente iria me livrar do meu problema para todo o sempre!
Acordei o Gabriel, liguei para a minha mãe e logo já vieram me buscar para a sala da anestesia. Ele foi comigo. Por coincidência, o anestesista era chileno, assim como minha sogra. Eles logo engataram um papo sobre a língua espanhola, do qual eu tentei participar. Em vão. A anestesia me derrubou.
Acordei com uma dor desgraçada na barriga. E tremendo de frio. E respirando fundo. Essa coisa da anestesia é muito louca. Eu tentava ver o relógio que estava bem na minha frente, na parede, mas ficava embaçado. Fechei os olhos, alguém colocou uma manta em cima de mim. Meu Deus, doía tudo, doía pra respirar. Percebi que tinha que me acalmar. Aos poucos fui tomando consciência das coisas. Tentei respirar fundo para me acalmar. Aos poucos fui ficando mais ou menos normal. Mas doía demais. Consegui finalmente ver o relógio: Eram 2 da tarde. Eles me deixaram lá até umas quase 3, quando me levaram para o quarto. Chegando lá, só encontrei o Gabriel. Cadê minha mãe? Ela tinha saído porque estavam demorando demais para me entregarem. Hunf. Dois enfermeiros puxaram o lençol de onde eu estava pra cima pra me colocarem na cama. Doeu tudo. E aí eu percebi porque doía. Tinha um dreno do lado direito da minha barriga. Um dreno é uma mangueira que fica metade pra dentro, metade pra fora de você, conectado a uma bolsinha para onde os seus fluidos são sugados. Terrível, me deu muita aflição. Logo minha mãe chegou, e eu fiquei lá morrendo de dor. Eu não conseguia levantar da cama de jeito nenhum. Doía demais, doía tudo. Me levaram janta, mas eu fiquei tanto tempo sem comer e estava com tanta dor que nem comi nada, só metade da gelatina e depois, duas bolachinhas de leite que vieram na ceia, e ainda fiz isso com a cama levantada porque eu não conseguia fazer força nenhuma no abdômen. Tive dificuldade para dormir com aquele dreno em mim. Mas a enfermeira disse que no dia seguinte, se eu conseguisse levantar, eu já podia ir pra casa. Eu não sabia como ia conseguir ir pra casa, sendo que nem respirar eu conseguia direito.
