23.10.08

Dia 1 – Sábado, 13 de Setembro de 2008

Era sábado. Fui para a aula de teatro, animada. Finalmente estávamos começando a trabalhar com textos. Ainda que eu tivesse passado mal no dia anterior, eu já me sentia melhor em relação ao meu estômago. Logo, não me preocupei muito quando comi um enrolado de presunto e queijo na hora do intervalo.

Foi a gota d’água. Eu nunca mais seria a mesma.

A barriga não demorou para começar a reclamar. Ensaiamos a cena, decoramos as falas, mas a dor incomodava. Apresentamos a cena. E a partir daí a dor foi se intensificando, até eu pedir para ir embora. Eram 7 da noite.

Às 7 e meia eu estava deitada numa maca do Pronto Socorro do Hospital Albert Sabin, no bairro da Lapa, em São Paulo, gritando “eu vou morrer”, ao que a médica respondia “não, não vai”.

Se eu soubesse o que viria pela frente, eu teria gritado “Por favor, me mate”. Mas eles não fazem esse maldito favor por você. Eles sempre querem te manter vivo, não importa o quanto você esteja sofrendo.

O Policial Militar que eu encontrei no meio do caminho e dirigiu meu carro até o hospital devolveu minha chave. Eu me contorcia de dor, onde estavam os enfermeiros? Um deles veio furar minha veia. Santo remédio. A dor aguda e constante que eu sentia passou em uns 30 segundos – foi o que me pareceu, pelo menos. A percepção de tempo nessas horas é completamente modificada. Depois veio um barato que me deixou sonolenta. Quando meu namorado Gabriel chegou lá, eu já estava bem. Sem dor. Colheram meu exame de sangue – o primeiro de milhões – e pediram para eua guardar o médico que faria um ultra-som. Esperamos. Liguei para a minha mãe, avisei o que tinha acontecido e que eu já estava bem. Fizeram o ultra-som, e a médica, Dra. Luisa, me disse que eu estava com pedra na vesícula (jura?) e que eu não podia comer absolutamente NADA que tivesse gordura.

Eu ficaria feliz com essa informação, se soubesse o que viria pela frente.